O título deste blog remete para a escola de outros tempos e serão "retratos" dessa escola que aqui aparecerão.
Sábado, 30 de Setembro de 2006
A Europa em 1906

No livro Chorographia de Portugal e de chronlogia, de 1906, estão indicados os estados independentes da Europa à época com a seguinte introdução.

 

 Habitando nós a Europa e sendo esta a parte mais civilizada do Mundo, julgamos conveniente indicar aqui os seus Estados independentes com suas capitães e formas de governo, como uma pequena lição para os que vão frequentar os Lyceus ou Escolas Industriaes.

.

 

Estados independentes

Forma de Governo

Capitaes

 

 

 

Inglaterra ou Gran Bretanha

Reino

Londres

Russia

Imperio

S.Petersburgo

Suecia

Reino

Stockolmo

Noruega

Reino

Christiania

Dinamarca

Reino

Copenhague

Allemanha

Império

Berlim

França

Republica

Paris

Hollanda ou Paizes Baixos

Reino

Haya

Italia

Reino

Roma

Belgica

Reino

Bruxellas

Suissa

Republica

Berne

Áustria-Hungria

Imperio

Vienna

Turquia

Imperio

Constantinipla

Grecia

Reino

Athenas

Hispanha

Reino

Madrid

Portugal

reino

Lisboa

Rumania

Reino

Bucharest

Servia

Reino

Belgrado

Montenegro

Principado

Cettigno

Bulgaria

Principado

Sofia

Republica de Andorra

Republica

Andorrra

Republica de S. marino

Republica

S. Marino

Principado do Monaco

Principado

Monaco

 

Comentário:

De notar que se assumia sem qualquer inibição a superioridade da Europa em termos civilizacionais, o que hoje seria considerado, no mínimo, politicamente incorrecto.

 



publicado por Paulo às 00:45
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Domingo, 24 de Setembro de 2006
O exame da 4ª classe

 O livro  “Caderno de 11 temas de revisão para o exame da 4ª classe”  é da autoria do professor Albertino Rebelo de Sousa. O leitor é informado que está de acordo com o último Regulamento Ministerial de 5 de Abril de 1968, pelo que, embora não encontrando a data da edição do livro, pode –se concluir que será entre 1968 e 1974.

A 3ª página do livro traz informa sobre as características dos exames da 4ª classe. Eis a transcrição.

“ As provas práticas e escritas iniciam-se em 1 de Julho ás 9horas.

 

Prova Prática

 

a)      Lavores Femininos para as alunas e Trabalhos Manuais para os alunos.

b)       Conversação sobre Moral e Religião, Educação Cívica, Educação musical e Educação Física.

 

As Provas de Lavores Femininos e Trabalhos Manuais deverão constar da execução de um trabalho já iniciado na escola e que deverá ser, tanto quanto possível, diversificado em relação aos alunos de cada proponente, cumprindo-se o estabelecido na alínea b) durante a execução do trabalho da alínea a).

 

As provas práticas começam às 9 horas e verão estar concluídas às 9 horas e 45 m.

 

Prova escrita

 

a)      Ditado – texto de 10 a 12 linhas com vocabulário da linguagem corrente, incluído nos livros de leitura aprovados, não excedendo 100 a 120 palavras. Duração da prova – 30 minutos.

 

b)      Redacção – Interpretação livre de um texto elaborado com vocabulário incluído nos livros de leitura em uso (fábula, história, poesia, etc.) e previamente lido e comentado pelo Júri ou composição sobre assunto de directo conhecimento do aluno. Duração da prova – 30 minutos.

 

Intervalo de 15 minutos

 

c) Aritmética e Geometria – Resolução de três problemas (dois de Aritmética e um de Geometria). Resposta a seis questões, sendo três de Aritmética e 3 sobre Geometria e não podendo ser nenhuma das questões desdobradas em alíneas. Duração da prova – 60 minutos

 

Intervalo de 15 minutos

 

c)      Ilustração de um conto ou narração previamente apresentado e explicado, podendo o examinando utilizar livremente os materiais e técnicas que deseje.

 

A prova de Ditado será qualificada de Bom até 2 erros; de suficiente se tiver 3 a 6 erros; de medíocre de 7 a 8 erros. Por cada falta ou troca de acento, emprego de letra maiúscula, etc, contar-se-á ¼ de erro.”

 

Eram assim as provas Prática e Escrita do exame da 4ª classe no final da década de sessenta e início de setenta do século passado em Portugal, com currículo diferenciado para rapazes e raparigas e algumas normas que na prática não eram cumpridas.

Em relação à Moral e Religião apesar de haver professores que não a davam, os alunos, todos frequentadores da catequese, estariam aptos a responder a qualquer questão. No que se refere à Educação Musical e à Educação Física, eram assuntos completamente ignorados em muitas escolas do país, pelo que apesar de constarem dos assuntos que deveriam ser objecto de exame, tal não sucedia em muitas localidades.



publicado por Paulo às 23:11
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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2006
Comportamento escolar segundo João de Deus

O primeiro texto do livro Leituras Escolares,  que está enquadrado no capítulo Civilidade,  é um texto de João de Deus.

Aqui ficam alguns excertos, com a grafia original.

 

Comportamento escolar

O filho obediente faz em tudo a vontade a seus pães, e se o mandam à escola, deve-se applicar, que a utilidade é sua.

Porque sem instrucção a gente é como os animaes.

(…)

E como se há-de comportar quem tem a felicidade de ser mandado á escola por seus pães?

Indo pelo caminho que lhe marcam, sem se apartar nem distrahir; chegando a horas, entrando socegado; tomando o seu logar com o menor incómodo possível dos companheiros; prestando muita attenção ao mestre; não se rindo, não conversando, não gracejando, e quer seja observado, quer não conservando-se sempre com a devida seriedade.

Um discíplo deve ser comedido e modesto, sem ser acanhado: quando não entende alguma coisa, pede licença para perguntar, e o mestre explica.

(…)

os mestres são os pães da instrucção, e os discípulos entre si devem-se amar como irmãos.

Um alumno bem educado não conta as faltas dos companheiros, nem as reprehensões e castigos que levam na escola; assim como também não vae à escola contar o que fizeram cá fora; não acusa nem compromete os mais.

(…)

Nunca se recorre à força, salvo em defeza do mais fraco..

Devemos respeitar os mestres e receber humildemente os seus preceitos; porque eles foram escolhidos para nos guiar, e estão em logar de nossos pães.

Se ás vezes se mostram severos, é desvelo pelo nosso aproveitamento, o que devemos agradecer e não levar a mal.

Nunca os devemos censurar; e quando à nossa vista são acusados, temos obrigação de os defender, como bons filhos ou bons amigos.

 

Alguém conseguiu ler sem um sorriso nos lábios?



publicado por Paulo às 19:10
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Quarta-feira, 13 de Setembro de 2006
A pesca do bacalhau

O pequeno texto que vou reproduzir não tem 40 anos, mas após a leitura será visível a sua total desactualização.

O excerto foi retirado do livro da 4ª classe ,Ciências Geográfico-Naturais,  da autoria de Pedro de Carvalho. Não tem data de edição, mas está de acordo com os programas de 1968 e é anterior a 1974.

A transcrição mantém o negrito e o itálico do original.

 

“ – A pesca do bacalhau – O bacalhau é um valioso peixe dos mares frios do Norte (Terra Nova, Gronelândia e Islândia).

Depois de salgado e seco, constitui um alimento forte, muitíssimo usado por nós.

Portugal possui uma boa frota de navios bacalhoeiros, hoje já motorizados.

Estas embarcações vão longe à procura desse precioso peixe – «o fiel amigo» –, que é pescado à linha ou com redes de arrasto.

A indústria e o comércio do bacalhau contribuem, de forma bem notável, para o engrandecimento da Nação.”



publicado por Paulo às 23:21
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Domingo, 10 de Setembro de 2006
Leituras escolares

 

A 10ª edição, (muito melhorada, de acordo com o que lá se encontra escrito), do livro Leituras Escolares está datada de 1897 e destina-se aos alunos do 2º grau do curso elementar. É da autoria de Arlindo Varella e J.M.Silva Barreto, identificados como Professores das escolas centraes de Lisboa.

 

O livro tem 372 páginas encontrando-se nele todas as matérias que os alunos deveriam saber, divididas em vários capítulos:

 

· Contos e apólogos

· Moral e Religião

· Civilidade

· Poesia

· Sciencias Physicas e Naturaes

· Hygiéne

· Economia

· Geographia

· Historia

· Acções e ditos memoráveis

· Instrucção vária

 

Como a capa está quase ilegível, insiro a imagem do frontispício, (penso que seja esta a designação), que repete o que está escrito na capa.

 



publicado por Paulo às 00:56
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Terça-feira, 5 de Setembro de 2006
Portugal continental em 1906

Do livro Noções de Chorographia de Portugal e de chronlogia, de 1906, eis o que as crianças precisavam saber, e que no fundo nos mostra também algo sobre a realidade portuguesa do final da monarquia.

Aqui fica a transcrição que mantém os itálicos e a grafia do original.

 

PORTUGAL CONTINENTAL

 

Portugal, nossa querida pátria, está situada na parte mais occidental da Europa, uma das cinco partes do mundo.

É limitada, ao Norte e Leste, pela Hispanha; ao sul e Oeste, pelo oceano atlântico. A Península hispânica ou ibérica é formada pelos reinos de Portugal e Hispanha. Aos portugueses também se lhes dá a designação de  lusitanos e, antigamente, a capital da Lusitânia era  Merida.

SUPERFICIE

A de Portugal continental é de 89:000 kilometros quadrados

POPULAÇÃO

A do continente e ilhas adjacentes é, approximadamente, de 6 milhões de habitantes. A do continente é de 5 milhões e meio.

RELIGIÃO

A do Estado e professada pelos portugueses é a  Catholica, Apostólica, Romana, e o chefe supremo da Egreja é o Papa. Os outros cultos são permitidos, em particular.

 

 

Algumas curiosidades ressaltam desta leitura:

· A referência à pátria

· A existência de uma religião do Estado

· A permissão de outros cultos em privado.



publicado por Paulo às 23:40
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Sexta-feira, 1 de Setembro de 2006
Um livro escolar de 1906

Este é um livro de 1906 intitulado Noções de Chorographia de Portugal e de Chronlogia.


O livro custou 160 reis, com o preço emendado em relação ao que saiu da tipografia e que indicava 100 reis.
O autor chama-se Manoel Joaquim da Costa, apresentando-se como professor d’ensino livre inscripto no Lyceu Central de Lisboa como director do Collegio e professor de Instrucção Secundária e na Inspecção Escolar como professor do ensino primário.
Não há indicação da tiragem, mas esta deveria ser baixa pois o livro está rubricado pelo autor e tem o seguinte aviso: São falsos todos os exemplares não rubricados pelo auctor.
Na introdução que faz ao livro, e que dirige, Aos meus collegas, o autor refere por duas vezes o seu principal objectivo: ser útil ás creanças que estudam. As crianças em causa são as que pretendem realizar o exame da instrução primária.
Nessa mesma introdução há um excerto que acho interessante e que refere:
(…a resposta exigida pelos questionários……, deve ser escrita para servir de prova de conhecimento da lição e para o aluno ir aprendendo a redigir. São estas as vantagens das respostas escritas, além de outras que, por desnecessári , não indico, mas que ao vosso esclarecido espirito, facilmente , ocorrem)



publicado por Paulo às 00:29
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